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SINTAXE HISTÓRICA

Os estudos na área de sintaxe, juntamente a outros campos de conhecimento, revelam-se fundamentais para identificar o que particulariza cada período da língua, como se constitui uma gramática em relação à outra, a partir de que parâmetros pode-se dizer se existe diferença ou semelhança entre períodos ou entre línguas. Tais estudos desenvolvem-se ou numa perspectiva de análise descritiva ou comparativa, seguindo direcionamento diacrônico e/ou sincrônico; este último, principalmente, se adotarmos a visão laboviana de que o presente pode explicar o passado.

 

A par dos fatos históricos e da marcação cronológica, a identificação dos períodos da língua fixa-se a partir dos fenômenos linguísticos encontrados em determinada época em confronto com outras épocas, o que evidencia a mudança da língua de um período para o outro, conforme indica Mattos e Silva (2006, p.24): não se deve, portanto, desligar a periodização temporal da realidade linguística diferenciada no espaço.

 

A inquietação em torno do delineamento de uma gramática, ou gramáticas, da língua portuguesa domina a cena de vários estudos diacrônicos no cenário brasileiro, como os de:

 

i) Mattos e Silva (1994, 2006), quando, na análise de textos trecentistas, analisa as suas características linguísticas, envolvendo a fonologia, a morfologia e a sintaxe, indicando a separação do português arcaico, em dois períodos: uma primeira fase galego-portuguesa e a outra considerada portuguesa propriamente dita;

 

ii) os de Ribeiro (1996, 1998), que tratam, respectivamente, da ordem dos constituintes no século XVI e da gramática que serve de base para a mudança do português brasileiro em relação à perda da inversão VS;

 

iii) o de Galves (2010), que avalia a delimitação de períodos na língua a partir da colocação dos clíticos;

 

iv) o de Castilho (2013), que apresenta a descrição do português arcaico em relação às perífrases verbais aliadas aos adjuntos adverbiais.

 

Indo além, podem também ser citados os estudos desenvolvidos na área da crioulística, como os de Alan Baxter, com o propósito de delinear as características de línguas emergentes, que tenham como base o português. Semelhante abordagem pode enriquecer os trabalhos diacrônicos por trazer fenômenos linguísticos que podem estar na base da mudança do latim ao português; além de ampliar os dados linguísticos que possam definir os alcances desta língua.

 

Com a intenção de contribuir para os estudos diacrônicos na área de sintaxe, o Grupo de Sintaxe Histórica, vinculado ao PROHPOR, estabelece como objetivos:    

 

a) explicitar as diferenças entre as gramáticas das várias vertentes da língua portuguesa, não só na relação Portugal-Brasil, mas também para envolver a caracterização de outras vertentes, como as africanas, por exemplo. Isso implicaria o levantamento das possíveis gramáticas da língua portuguesa, levando em consideração os aspectos sóciohistóricos e linguísticos que definem cada uma;

 

b) precisar as características linguísticas que predominam em determinadas épocas das línguas, diferindo um período de outro;

 

c) confrontar diferentes períodos para que se consiga avaliar a fase de transição e o início de novas construções linguísticas;

 

d) levantar dados que permitam estabelecer correlação de fenômenos gramaticais, como, por exemplo, as perdas (ou ganhos) morfológicos e a interferência em outras áreas, como a sintaxe;

 

e) realizar análises comparativas, envolvendo não só diferentes vertentes da língua portuguesa, mas também dados de outras línguas românicas ou de outra família linguística, com vistas a confrontar parâmetros e estabelecer as características linguísticas do português;

 

f)  avaliar construções sintáticas do latim e provável continuação ou mudança no português, considerando fatos e dados sociohistóricos e linguísticos;

 

g) definir corpus diferenciado para análise, inclusive, para ampliar o banco já disponível no PROHPOR. A análise em textos diversificados contribui ou para confirmar ou para contrapor os dados até então encontrados. Quanto mais textos mais possibilidade de avaliar a caracterização linguística de um determinado período.

 

Referências:

CASTILHO, Célia Moraes de. Fundamentos sintáticos do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2013.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. O português arcaico: fonologia, morfologia e sintaxe. São Paulo: Contexto, 2006.

RIBEIRO, Ilza. A mudança sintática do PB é mudança em relação a que gramática? In: ATALIBA, Ataliba. (org.) Para a história do português brasileiro: primeiras ideias. São Paulo: Humanitas: FFLCH: USP. 1998. v.1 p.101-119

RIBEIRO, Ilza. A ordem dos constituintes na Carta de Caminha. In: MATTOS E SILVA, R. V. (org.) A Carta de Caminha: testemunho lingüístico de 1500. Salvador: UFBA, 1996. p.29-62.