ROSA VIRGÍNIA MATTOS E SILVA: 80 ANOS

 

 

No ano de 2020, a saudadosa Rosa Virgínia Mattos e Silva, fundadora do PROHPOR, completaria 80 anos, no dia 27 de julho. Por conta desse fato, o PROHPOR preparou, para o mês de julho, mês de nascimento de Rosa, uma exposição que celebra a sua memória. Serão apresentadas fotos de variados acervos e depoimentos de amigos, colegas, ex-orientandos e admiradores do trabalho dessa que foi uma das mais importantes linguistas do Brasil. (Comissão organizadora: Mailson Lopes (UFBA), Mariana Fagundes (UEFS), Pedro Daniel Souza (UNEB) e Natival Simões Neto (UEFS) | Estudantes colaboradores: Iago Santiago (UEFS) e Taine Rosário (UEFS)).  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rosa Virgínia no IV Congresso Nacional de Estudos Linguísticos e Literários , na UEFS, em 1998.

Foto do acervo de Pedro Daniel Souza 

 

 

Rosa: mestre, colega, amiga.

 

Sônia Bastos Borba Costa

Rosa das rosas e Fror das frores

Dona das donas, Senhor das Senhores

(Cantiga de louvor a Santa Maria, Afonso X)

 

 “Se podes olhar, vê; se podes ver, repara”. Tomei emprestado de Saramago essas palavras, para sugerir que prestem atenção ao nome dela: Rosa Virgínia Barreto de Mattos Oliveira e Silva. Foi nosso colega, Ildázio Tavares, que também já se foi, poeta que era, quem me chamou a atenção para isso. Um nome quase completamente composto de antropônimos referentes a elementos da natureza, enriquecido pelo “Virgínia”, que evoca pureza, e que me permito estender, livremente, para “verdadeira, autêntica”. Um nome que evoca a ausência de artificialismos, tal qual ela.

 

Conheci Rosa (como a chamava no cotidiano) em 1981, na sala do Laboratório de Fonética do Instituto de Letras, prédio de Nazaré, onde trabalhavam os professores de língua portuguesa, capitaneados pelo Prof. Nelson Rossi. Eu era, à época, Professora Colaboradora, ela cursava o seu Pós-Doutoramento no Rio e estava em visita aos colegas. No ano seguinte, 1982, tive a honra e a alegria de ser sua aluna, no Mestrado e, desde então, começamos um diálogo que se foi cristalizando em parte fundamental da minha formação acadêmica.

          

Ela foi minha orientadora no Mestrado e no Doutorado, por isso posso dizer que Rosa sabia fazer seu orientando encontrar o caminho que fosse mais adequado às suas condições e o mais agradável para ele, portanto, também o mais produtivo, nem que para isso ela, como orientadora, tivesse de se desviar intelectualmente dos seus interesses mais imediatos e mais caros, uma disponibilidade raríssima na vida acadêmica.

 

Vou destacar alguns momentos da nossa convivência:

O PROHPOR – Em 1988, ela me disse, de maneira simples, quase casual, mais ou menos o seguinte: “Que tal se nós, que gostamos de pesquisar história do português, nos organizássemos em um grupo de pesquisa?” Foi a primeira menção que ela me fez em relação àquele que viria a ser o PROHPOR (feliz denominação sugerida por Dante Lucchesi). Para nossa alegria, posteriormente, ela chamou o PROHPOR de “um parto fácil e agradável”.

             

O SEU CONCURSO PARA TITULAR – Presenciamos um momento esdrúxulo na história da universidade brasileira, ao vermos a nossa mestra, em decorrência do enorme lapso temporal em que a UFBA não abrira vagas para professores titulares, estar se submetendo à avaliação de uma banca composta por colegas que, como bem disse Carlos Alberto Faraco, um dos componentes, tinham sido formados pelo seu saber, pelas suas aulas, pelos seus livros.  

         

O ROSAE - Em 2007, Tânia Lobo e Américo Machado Filho resolveram organizar o primeiro Congresso Internacional de Linguística Histórica, em sua homenagem. Sem dúvida, essa foi uma inspiração abençoada dos colegas. Nós o realizamos em julho de 2009, durante a semana do seu aniversário – 27 de julho – num hotel a beira-mar, o que a agradou particularmente.

    

A ENTREGA DO TÍTULO DE PROFESSOR EMÉRITO - O título lhe foi concedido pelo Conselho Universitário da UFBA, a partir de sugestão de Américo Machado Filho ao nosso Departamento. Preparamos a cerimônia em comum acordo com o Cerimonial da Reitoria, Américo à frente, e me coube a honra e a alegria de fazer o papel de mestre de cerimônia.

           

Rosa se dedicou da maneira mais completa e fiel ao estudo da formação e funcionamento da língua portuguesa em Portugal e no Brasil. Uma vez lhe disse que o português, sobretudo no seu período arcaico, era o seu crochet, porque ela me disse que esse era verdadeiramente o seu hobby, retrucando insinuações de outros de que ela deveria divertir-se, desenvolver um hobby.

 

Bem, já me alonguei demais, estou até fazendo jus ao apelido de “grilo falante” que ela me concedeu. Para finalizar, quero registrar os agradecimentos que lhe fiz, respectivamente, na minha dissertação de Mestrado e na minha tese de Doutorado:

 

À minha orientadora, Rosa Virgínia Mattos e Silva, que me proporcionou viver na prática o que entendo dever ser a respeitosa, estimulante e afetuosa relação mestre/discípulo.

À Profª Drª Rosa Virgínia Mattos e Silva, orientadora, colega e amiga, sempre presente, pelo exemplo de trabalho intelectual e pela influência marcante, mas jamais invasiva.

ROSA, ALUNA DO INSTITUTO FEMININO DA BAHIA

Anna Nolasco de Macêdo

 

 

 

 

 

 

 

Fotos do acervo da família de Rosa Virgínia Mattos e Silva 

Recordar Rosa Virgínia impõe voltar aos anos 1949/1955. Usufruímos da mesma formação escolar e humana ministrada no Instituto Feminino da Bahia. Tivemos classes de Latim, Canto Orfeônico e Economia Doméstica. Jogamos baleado no recreio. Todo final de ano, havia recitais onde os alunos eram os protagonistas. Foi uma formação que deixou frutos! Aprendemos a pensar a língua e a entender os processos que ela sofre e/ou recebe no decorrer do tempo. Nos reencontramos nas nossas Idades Médias, já na UFBA. Eu, procurando agulha em palheiro, palavras de Rosa Virginia, que me orientou no Mestrado e Doutorado. Assim, a criação do PROHPOR é, creio, o florescer de uma semente lançada em terreno fértil, cultivada e regada com zelo por toda uma vida.

ROSA VIRGÍNIA E A GRADUAÇÃO EM LETRAS NA UFBA

Entre 1958 e 1961, Rosa Virgínia cursou Letras Anglo-germânicas, na Universidade Federal da Bahia. Na graduação, descobriu o seu interesse por Filologia e Linguística Histórica do Português. Em 1962, recebeu o diploma (foto). Ao longo de sua trajetória, Rosa sempre frisou o encanto e o respeito que tinha pela graduação em Letras. Mesmo sendo uma exímia pesquisadora e uma docente produtiva da pós-graduação, o seu xodó maior, enquanto professora, sempre foi a graduação. Rosa se sentia muito honrada, por poder contribuir na formação de novos pesquisadores e professores de língua portuguesa.

*O diploma de graduação de Rosa está sob os cuidados do PROHPOR.

ROSA VIRGÍNIA E NELSON ROSSI

No vídeo a seguir, a professora Jacyra Andrade Mota, colega de graduação de Rosa Virgínia Mattos e Silva, conta um pouco da relação de Rosa com Nelson Rossi.  A professora Jacyra, além de ter trabalhado com Rosa e Nelson Rossi (in memoriam), na edição do bestiário medieval Livro das Aves, coorganizou, com Rosa Virgínia e Suzana Alice Marcelino Cardoso (in memoriam), o livro "Quinhentos anos de história linguística do Brasil", lançado em 2006 e reeditado pela EDUFBA em 2016.   

ROSA VIRGÍNIA MATTOS E SILVA: REDATORA DE VERBETES DA ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL

Mailson dos Santos Lopes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um fato curioso e praticamente desconhecido da carreira da Profa. Rosa Rosa Virgínia Mattos e Silva (1940-2012) diz respeito à sua atuação como redatora de verbetes enciclopédicos. Além de ter escrito o verbete Diálogos de São Gregório para o Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa (In: LANCIANI & TAVANI, 1994), redigiu, sob a supervisão do Prof. Nelson Rossi, na década de 70, outros doze para a célebre Enciclopédia Mirador Internacional (organizada por Antonio Houaiss), que recobrem um temário de considerável amplitude da ciência linguística: Contacto, Dialectologia, Escrita, Estruturalismo, Léxico, Patologia da linguagem, Linguismo, Sapir, Saussure, Socioliguística, Tipologia e Vocábulo. Recém-doutorada, já se lançava a empreitadas desafiadoras, numa clara e temporã demonstração de sua intrepidez intelectual, que perpassaria toda a sua vida acadêmica.

* Na foto, Rosa Virgínia está sentada na ponta direita, e Nelson Rossi está sentado mais ao centro, de camisa branca, de manga. A foto faz parte do acervo familiar de Rosa Virgínia e foi gentilmente cedida ao PROHPOR.

ROSA VIRGÍNIA E PEDRO AGOSTINHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rosa Virgínia conheceu Pedro Agostinho em 1961, quando ainda fazia graduação na UFBA e participava ativamente da Juventude Universitária Católica. Somente em 1962, Rosa e Pedro pegaram na mão e revelaram gostar um do outro. No começo desse mesmo ano, Pedro viajou ao Rio de Janeiro e, enquanto ele lá esteve,  os enamorados trocaram inúmeras cartas de amor. Em dezembro de 1962, mais precisamente no dia de Natal, Pedro pediu a Seu Mattos, pai de Rosa, a mão dela em casamento. Casaram-se em 31 de dezembro 1963 e viveram juntos até o falecimento de Rosa, em 2012. Tiveram quatro filhos: Oriana Maria (n. 1965), George Olavo (n. 1966), João Rodrigo (n. 1974) e Lianor Maria (n. 1978). 

* As fotos fazem parte do acervo da família de Rosa Virgínia e foram gentilmente cedidas ao PROHPOR. 

ROSA VIRGÍNIA E OS KAMAYURÁ

Pedro Daniel dos Santos Souza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Ipavu - aldeia Kamaiurá, 15.8.69. Chegamos hoje pela manhã à aldeia”. É assim que Professora Rosa inicia suas notas de campo sobre os quinze dias de convivência com os Kamayurá. A ida ao Xingu, conduzida por Pedro Agostinho, intencionava a realização de observações preliminares que fundamentariam uma caracterização sistemática do português Kamayurá, projeto que desejava estender a outros grupos indígenas da região e, até mesmo, a outras áreas do Brasil. De sua participação no Centro Brasileiro de Estudos Indígenas, instituição de curta existência (1969-1970) e criada em Brasília com outros dez colegas, Professora Rosa considerava o corpus gravado na aldeia Kamayurá como uma documentação preciosa para a história da aquisição do português por esse grupo etnolinguístico e do contato linguístico no Brasil. Os relatos dessa experiência, as notas de campo e os dados linguísticos resultaram na publicação da coletânea “Sete estudos sobre o português Kamayurá”, no ano de 1988, com a colaboração de Myrian Barbosa da Silva, Maria del Rosário Albán e Pedro Agostinho da Silva. De Itapavu, lagoa centro do mundo dos Kamayurá, o “prêmio celestial” do banho ao entardecer, adjetivação por ela utilizada... E o desejo de que tudo continuasse a ser como era, os Kamayurá recebendo os bens que lhes pudéssemos dar, mas sem se deixarem destruir por tantas mazelas biológicas ou socais que lhes pudéssemos legar.

* As fotos fazem parte do acervo da família de Rosa Virgínia e foram gentilmente cedidas ao PROHPOR. 

ROSA VIRGÍNIA E AS RELAÇÕES ALÉM-MAR

Ana Maria Martins

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rosa Virgínia Mattos e Silva tinha em Lisboa importantes laços familiares, académicos e de amizade, fortemente ligados entre si, dada a personalidade da Rosa, para quem ciência e afetos cabiam no mesmo universo. Luís Filipe Lindley Cintra, Maria Helena Mira Mateus, e Rosa Virgínia Mattos e Silva tinham entre si uma história longa de relações de trabalho, amizade, respeito e admiração mútua, que estão na génese de uma rede mais vasta de ligações entre a Bahia e Lisboa. Várias gerações de estudantes da Universidade de Lisboa puderam conhecer a Rosa e aprender com ela; algumas das suas principais obras foram publicadas em Lisboa, pela INCM; por sua iniciativa, Tânia Lobo, Dante Lucchesi, Mariana Fagundes de Oliveira, entre outros, estudaram em Lisboa; a seu convite ensinaram na UFBA Maria Helena Mateus, Ivo Castro e eu própria, que pela mão de Ilza Ribeiro pude também viajar até Feira de Santana e aí conhecer colegas que muito estimo. As relações transatlânticas de Rosa Virgínia Mattos e Silva foram fortes, regulares e deram frutos que se renovam no tempo, tal como a obra da Rosa e o mais que a sua personalidade ímpar nos legou.

 

* Na foto, Rosa está acompanhada do professor Lindley Cintra e outros colegas em Portugal. A foto faz parte do acervo familiar de professora Rosa e foi gentilmente cedida ao PROHPOR.

ROSA VIRGÍNIA E O DOUTORADO NA USP

 

Em 1971, Rosa Virgínia Mattos e Silva defendeu a sua tese de doutorado "A mais antiga versão portuguesa dos Quatro Livros dos Diálogos de São Gregório", na USP. A tese foi feita sob a orientação da professor Isaac Salum. Em 1972, recebeu o diploma.

ROSA VIRGÍNIA E A TRAJETÓRIA NA UFBA

 

Crachá da UFBA, instituição em que Rosa Virgínia atuou como professora, de 1973 até 2012, ano do seu falecimento.

 

ROSA VIRGÍNIA E O PORTUGUÊS ARCAICO

Neste vídeo, a professora Juliana Soledade, atual coordenadora do PROHPOR, comenta a relação de Rosa Virginia com o português arcaico. Em alguns dos seus livros sobre a morfologia do português arcaico, Rosa destacou a importância de serem estudados fenômenos morfolexicais, como a sufixação, a prefixação e a composição no referido período. Desde então, essa investigação tem sido um firme propósito do subgrupo de Morfologia e Lexicologia históricas do PROHPOR, que conta com quatro pesquisadores: Juliana Soledade, Antonia Santos, Mailson Lopes e Natival Simões Neto.

 

LANÇAMENTO DA EDIÇÃO BRASILEIRA DE ESTRUTURAS TRECENTISTAS

 

Rosa Virgínia em 2011, em sua última visita à Universidade Estadual de Feira de Santana. Na ocasião, a professora lançou a versão brasileira da obra referencial e monumental "Estruturas trecentistas: elementos para uma gramática do português arcaico".

*Foto do acervo do NELP (@nucleonelp), gentilmente cedida ao PROHPOR.

ROSA E A FUNDAÇÃO DO PROHPOR

 

Neste vídeo, o professor Dante Lucchesi (UFF) fala da fundação do PROHPOR e da importância desse grupo para os estudos históricos da língua portuguesa. 

ROSA E O PROHPOR: TEXTO DE FUNDAÇÃO​ 

 

Texto de fundação do PROHPOR em 1990, de Rosa Virgínia em parceria com Sônia Bastos Borba Costa, Therezinha Mello Barreto e Maria do Socorro Sepúlveda Netto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ROSA EM CELEBRAÇÃO

 

Rosa em celebração. Rosa Virgínia adorava celebrações. Encerramento de disciplinas, aniversários, reuniões de Natal eram oportunidades de comemorações. O Natal do Prohpor se tornou uma tradição, assim como a celebração do aniversário de Rosa, que contava sempre com as participações de alunos, orientandos e familiares. Na foto, celebra-se um dos seus aniversários.

* A foto faz parte do acervo do NELP e foi gentilmente cedida ao PROHPOR.
 

 

ROSA E A EQUIPE DO PROHPOR

Rosa Virgínia, com Américo Machado Filho, seu orientando de mestrado e doutorado e os então estudantes de graduação e pós-graduação (Irani Sacerdote, Natália Deus, Hirão Cunha e Souza, Aline Barreto [in memoriam], Ana Carolina Souza, Antonia Vieira dos Santos, Cristiane Pereira, Hérvickton Israel Nascimento e Verônica de Souza) do PROHPOR, no lançamento do ROSAE, em 2009.

ROSA VIRGÍNIA NO JORNAL A TARDE

Em 1990, o lançamento do livro "Tradição gramatical e Gramática Tradicional" (Contexto) ganhou uma nota no Jornal A Tarde, jornal da Bahia. Em 1991, Rosa escreveu, especialmente para o mesmo jornal, um texto sobre as origens do português brasileiro.

 

ROSA VIRGÍNIA E OS CAMINHOS DA LINGUÍSTICA HISTÓRICA

Texto de Natival Simões Neto (UEFS)

Ao longo do seu percurso formativo, Rosa Virgínia não só escreveu sobre a história do português, como também tratou de questões teóricas, metodológicas e epistemológicas relacionadas à Linguística Histórica, disciplina pela qual se interessou desde a graduação. Em 1988, publicou, na Revista DELTA, o artigo “Fluxo e refluxo: uma retrospectiva da Lingüística Histórica no Brasil”, em que traçou um panorama das pesquisas feitas em solo brasileiro, destacando a importância de filólogos, dialetólogos, sociolinguistas, gerativistas e estruturalistas na preservação dos estudos históricos. Foi nesse artigo que propôs a divisão Linguística Histórica stricto sensu e lato sensu. Sempre generosa com críticas construtivas, após sugestão de Ian Roberts, retomou essa classificação em artigo de 1999 (DELTA), propondo uma subdivisão entre a linguística diacrônica e a linguística sócio-histórica. Anos mais tarde, no livro “Caminhos da Linguística Histórica: ouvir o inaudível” (Parábola, 2008), sintetizou todo esse percurso reflexivo. Nessa mesma obra, forneceu um roteiro de um curso de Linguística Histórica, para alunos de graduação e pós-graduação. Em um dos seus últimos textos, “Línguas pluricêntricas e a questão das línguas crioulas” (2011), começou a refletir os discursos que atravessam as narrativas sobre a sócio-história das línguas. Essa, provavelmente, seria a direção para a qual apontaria em novos trabalhos. O PROHPOR, programa que fundou em 1990, tem procurado desenvolver essa agenda.

* Nas fotos, há um esquema feito pela própria Rosa, em 1993 ou 1994, para o que seria um curso de Linguística Histórica na pós-graduação. Há uma versão manu, feita pela própria Rosa, e uma versão digitada, feita por Zenaide Carneiro, sua orientanda de mestrado e integrante do PROHPOR desde então. Destaque-se a questão "Virá uma teoria globalizante da mudança que inclua os aspectos individual e social e que trabalhe sobre a totalidade da estrutura?"

ROSA VIRGÍNIA NA PÓS-GRADUAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas fotos de hoje, vemos a atuação de Rosa na pós-graduação. Na primeira, está em trabalho no extinto Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística (UFBA), entre Suzana Alice Cardoso (in memoriam) e Célia Marques Telles. As outras duas fotos são as arguições que fez na banca de doutorado de Ilza Ribeiro (in memoriam) e de mestrado de Elisângela Santana.

*A foto com Rosa, Célia e Suzana faz parte do acervo da professora Telma Garrido (UEFS), que a cedeu gentilmente ao PROHPOR.

ROSA VIRGÍNIA E A SÓCIO-HISTÓRIA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO

Texto de Zenaide Carneiro (UEFS)

A construção de uma história da língua portuguesa – a partir de sua fase arcaica e da segunda metade do século XVI, e da inflexão para a história do português brasileiro (tanto de sua história interna quanto de sua história externa) – é um legado inestimável. Os textos de Rosa Virgínia Mattos e Silva sobre a história social linguística do Brasil possuem um caráter também programático, fruto de profundas reflexões sobre a fase inicial de multilinguismo generalizado no Brasil Colonial para uma fase posterior de multilinguismo localizado, as quais revelam sua profunda consciência crítica sobre a situação linguística brasileira.  Ao defender que a história linguística do Brasil não se restringe à história da língua portuguesa no Brasil nem à história do português brasileiro, a pesquisadora abre um leque de possibilidades, abordando questões sobre línguas em contato, difusão do português brasileiro, entre diversas premissas fundamentais para a compreensão da realidade linguística brasileira. Parte de seus artigos sobre essa linha de investigação, escritos no período de 1993 a 2002, foram reunidos na publicação, pela Parábola, em 2004, do livro “Ensaios para uma sócio-história do português brasileiro”; outros materiais inéditos poderão, em breve, ser acessados em sua opera ominia (https://www.prohpor.org/operaomnia). 

* A foto é de 2002. Nela, estão, além de Rosa, Jacyra Mota, Ilza Ribeiro (in memoriam), Dinah Callou, Norma Lucia Almeida, Zenaide Carneiro, sua ex-orientanda de mestrado, e Pedro Daniel Souza, que veio a se tornar seu orientando de mestrado, logo depois do evento. A foto faz parte do acervo pessoal do professor Pedro Daniel e foi gentilmente cedida ao PROHPOR.

ROSA VIRGÍNIA E A SALA DE AULA

ROSA VIRGÍNIA, PROFESSORA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Dois registros de Rosa em sala de aula. A primeira foto foi tirada no Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística (UFBA). A segunda foi tirada no Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística (UEFS). As duas fotos fazem parte do acervo de membros do @nucleonelp que gentilmente cederam as fotos ao PROHPOR.

Texto de Mariana Fagundes de Oliveira Lacerda (UEFS)

Era o semestre letivo 2001.1 do Curso de Letras Vernáculas, e eu começava a cursar a primeira disciplina com professora Rosa Virgínia Mattos e Silva, no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Eu e muitos colegas na turma, até então, não havíamos tido essa oportunidade. E, quando professora Rosa nos deu sua primeira aula de LET 293 – Língua Portuguesa XII, uma disciplina optativa sobre A Língua Portuguesa no Século XVI, disse-nos que ela era conhecida como linguista, mas se reconhecia como professora de língua portuguesa. Esse era o orgulho dela, dizia professora Rosa a seus alunos, ser professora de língua portuguesa. Um grande nome da Linguística, pesquisadora homenageada no I Congresso Internacional de Linguística Histórica, em 2009, mas, na sala de aula, com seus alunos, era pró Rosa, a anotar, no quadro, seus esquemas de aula tão ricos! E sempre vinha ela com seu perfume de alfazema!

Texto de Antonia Vieira Santos (UFBA)

Conheci pessoalmente a Professora Rosa em 2003, depois de nos mudarmos – eu, meu marido Fred e nossos filhos Artur e Gregório – para Salvador. Foi um dos encontros mais auspiciosos que a vida me proporcionou. Fui sua aluna na disciplina A língua portuguesa das origens ao português arcaico, que, na minha opinião, resume a sua grande paixão em tantos anos de pesquisas: o português arcaico. Em 2005, tornei-me sua orientanda de doutorado, com o desafio de estudar os compostos no português arcaico. Lembro-me bem da nossa convivência, dos momentos de orientação, da interação nos eventos científicos, das conversas durante as caronas que eu pegava até as Mercês, do seu estilo leoa – que eu desconhecia – durante a minha qualificação e a minha defesa... Eu sempre achei que ela gostasse mais do Fred, com quem aprazia conversar, do que de mim (rsrs), mas ela tinha um cuidado especial comigo. Éramos vizinhas. Por vezes, ia a sua casa entregar trabalhos. Na última vez em que fui, levei Gregório. Entramos e ficamos a conversar sobre várias coisas, e, claro, sobre o Prohpor. São boas recordações. Têm sorte as pessoas que conviveram com Rosa mais tempo do que convivi.

ROSA VIRGÍNIA, ORIENTADORA

ROSA VIRGÍNIA EM EVENTOS

ROSA VIRGÍNIA, PROFESSORA EMÉRITA DA UFBA

Em 2011, Rosa Virgínia Mattos e Silva recebeu o título de professora emérita da UFBA. Nas fotos, as versões digitada e manuscrita do discurso.

ROSA VIRGÍNIA E AMIGOS

Bilhete da professora Suzana Alice Cardoso (in memoriam) à professora Rosa

"Rosinha,

Não temos penta, mas temos (teremos já) uma PENTAVÓ! (Era para lhe trazer 5 rosas, mas como não deu para passar na casa de flores, vão 5 flores do campo, puras e frescas! Deus abençoe os netos.

Suzana"

ROSA VIRGÍNIA E O ARRAIÁ DA ROSA

Fotos do Arraiá da Rosa, confraternização feita para celebrar o encerramento da disciplina LET666 - A língua portuguesa das origens ao período arcaico, na última turma ministrada por Rosa Virgínia Mattos e Silva no Programa de Pós-graduação em Língua e Cultura.

*As fotos fazem parte do acervo do professor Mailson Lopes, que gentilmente as cedeu para a exposição do PROHPOR.

ROSA VIRGÍNIA E O NATAL DO PROHPOR

Último Natal do Prohpor, com a presença de Rosa 🌹

As fotos fazem parte do acervo do professor Mailson Lopes, que gentilmente as cedeu para a exposição.

ROSA VIRGÍNIA E FAMÍLIA

*Esta foto faz parte do acervo da família de professora Rosa.

ROSA VIRGÍNIA: PIONEIRA DA CIÊNCIA NO BRASIL

Texto de Mailson Lopes (UFBA)

Que a Profa. Rosa Virgínia Mattos e Silva (1940-2012) figure entre os expoentes da linguística no Brasil, tendo sido, inclusive, Pesquisador 1A do CNPq, já o sabemos. O que muitos não sabem, no entanto, é que o seu vanguardismo científico foi também chancelado por esse órgão ao galardoá-la, post mortem, em 2015, com o título de Pioneira da Ciência no Brasil, na 5ª edição dessa concessão honorífica. Foi ela, assim, a primeira linguista a ser agraciada com tal reconhecimento e, com Leda Bisol (laureada em 2018, na 7ª edição do prêmio), segue como uma das duas únicas estudiosas da área contempladas com tal distinção. Para os que tiveram a fortuna de conviver com a Profa. Rosa Virgínia ou sorver de suas lições e publicações as suas ideias formidáveis, essa e outras distinções corroboraram o que já se sabia: a genialidade de tal mestra e o longo alcance de sua atuação científica.

O PROJETO OPERA OMNIA DE ROSA VIRGÍNIA

Texto de Mailson Lopes (UFBA)


O projeto Opera omnia de Rosa Virgínia Mattos e Silva (https://www.prohpor.org/operaomnia) consiste na reunião, tratamento e disponibilização aberta e gratuita de impressos, manuscritos e datiloscritos dessa renomada linguista brasileira. Os estudos de sua pena se espraiam sobre diversos campos, desde a aquisição do português como L2 pelos kamayurás do Alto Xingu, passando pela descrição do português arcaico e pela constituição sócio-histórica do português brasileiro, alcançando até questões ligadas ao ensino de língua materna na realidade nacional. Idealizado pela Profa. Tânia Lobo em 2015, o projeto avança sobre duas rotas cardeais: o processo de disponibilização em rede do espólio bibliográfico de Mattos e Silva e, simultaneamente, o desenvolvimento de estudos sobre tal lastro bibliográfico, de grande monta para a historiografia linguística no país.

Hoje, finalizamos a exposição virtual em homenagem aos 80 anos de Rosa Virgínia Mattos e Silva. Agradecemos a todos pela interação, divulgação e compartilhamento de memórias. Agradecemos também a todos aqueles que contribuiram com as fotos, os textos e os vídeos que integraram a exposição.

As homenagens a Rosa Virgínia seguirão acontecendo neste ano. Em breve, daremos mais notícias. Para encerrarmos, compartilharmos o poema "Sempre Para Rosa", feito pela professora Mariana Fagundes (UEFS), uma das curadoras desta exposição, em julho deste ano.

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Sempre Para Rosa

Homenagem a Rosa Virgínia Mattos e Silva, pró Rosa.

(Mariana Fagundes)

Foi Rosa que me disse
Que as línguas têm história.
E me contou por que caminhos
A língua portuguesa passou.
Ela me deu a mão e me deu o pão
Da carne e da alma.
E, sem dizer que vinha,
Rosa ficou.
Como um presente dos jardins dos Céus.
Nos corações de dores e amores,
coração de toda gente,
a saudade mora.
E Rosa dos Amores deixou saudades...
Os Amores de Rosa lhe prestam homenagens!
Sempre Para Rosa.

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* A foto foi tirada pelo professor Ton Israel Nascimento (UNEB/UFBA), que gentilmente a cedeu para a exposição do PROHPOR. Na ocasião, a professora Rosa ofereceu um almoço a todos que fizeram acontecer, de maneira exitosa, o ROSAE, congresso internacional em sua homenagem. O almoço aconteceu num domingo, na casa de sua filha Oriana.

Endereço:

Av. Ademar de Barros, s/n°

Campus Universitário de Ondina
Salvador, BA | prohpor.ufba@gmail.com

 

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