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A FUNDADORA

O PROHPOR segundo sua fundadora

Olhando de hoje para o passado, vejo que a semente do que viria a sero Grupo de Pesquisa ‘Programa para a História da Língua Portuguesa’(PROHPOR) está certamente na minha formação acadêmica da década de cinquenta para sessenta, quando, licencianda em Línguas Anglo-germânicas, tive uma coesa preparação, dirigida pelo Mestre Nelson Rossi, na Lingüística de orientação histórica, que dominou a cena dos cursos de Letras no Brasil até a década de sessenta, em que História da Língua, Filologia e Dialectologia constituíram a base da minha preparação profissional para o futuro. Ao finalizar a Licenciatura, na 4ª. Série, em 1961, o nosso grupo de colegas realizou um trabalho coletivo, sob a orientação de Nelson Rossi, que resultou na edição crítica do Livro das Aves, publicada em 1965 pelo Instituto Nacional do Livro.

 

Partindo para o Mestrado – primeiro Mestrado na área de Letras no Brasil, na Universidade de Brasília, ainda em processo de construção– escolhi como tema de Dissertação a edição do Segundo Livro dos Diálogos de São Gregório: biografia de São Bento, concluída em 1965. Ambos esses textos trecentistas pertenciam e pertencem ao conjunto de manuscritos medievais adquiridos por Serafim da Silva Neto em Portugal e trazidos para o Brasil. Ao decidir fazer o Doutoramento na USP em 1971, optei por completar a edição dos Quatro livros dos Diálogos de São Gregório, na sua versão medieval mais antiga conhecida, a do século XIV.

Desde então o meu objetivo final não era fazer Filologia, no sentido de “editar textos”, mas, a partir de edições, pensar e observar o processo de constituição histórica da Língua Portuguesa. Nessa orientação é que preparei o que se tornou o livro Estruturas trecentistas: elementos para uma gramática do português arcaico, publicado em 1989 pela Impressa Nacional – Casa da Moeda de Lisboa. Esse trabalho, iniciado em 1968, a partir de listagens mecanográficas, não eletrônicas, realizadas no antigo Centro de Cálculo Científico da Fundação Calouste-Gulbenkian de Lisboa, só veio a estar concluído em 1982 e publicado em 1989.

 

Entre 1960 e 1980, a Lingüística Brasileira se concentrou, hegemonicamente, nos estudos sincrônicos das línguas, especialmente da língua portuguesa e do português brasileiro. Com o retorno, na década de oitenta, aos estudos histórico-diacrônicos, com renovadas orientações, no Brasil, sobretudo pela via da Teoria da Variação e Mudança laboviana, da Teoria Paramétrica chomskiana e ultimamente dos estudos funcionalistas que tratam da gramaticalização, um novo interesse começou a ser despertado entre alguns linguistas e pós-graduandos no Brasil, sobretudo em busca de interpretações históricas para o português brasileiro e suas diferenças em relação ao português europeu.

 

Tendo permanecido fiel aos estudos de natureza histórica, isto é, a partir de dados datados e localizados, mesmo que de natureza sincrônica – trabalhei com dados de pesquisa de campo feita sobre o português dos índios kamayurá (cf. o livro Sete estudos sobre o português Kamayurá, Salvador: CED-UFBa, 1988); entre 1973 e 1979 fui pesquisadora da equipe do projeto NURC-Bahia, mas, só ao findar os anos oitenta, apesar de que, desde 1976, orientasse dissertações de Mestrado, sempre sincrônicas, tive a primeira orientanda que estava motivada para os estudos histórico-diacrônicos. Logo depois surgiram outros e, assim, a possibilidade de se organizar um Grupo de Pesquisa que seguisse a linha registrada no Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras da UFBa e na Pós-graduação em Letras e Lingüística de nosso Instituto, a da “Constituição histórica da língua portuguesa”. Surgiu, então, em finais de 1990, o núcleo inicial do PROHPOR.

 

 

(FONTE: MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. Sobre o 'Programa para a História da Língua Portuguesa' (PROHPOR) e sua inserção no projeto nacional 'Para a História do Português Brasileiro' (PHPB). In: RONCARATTI, Cláudia; ABRAÇADO, Jussara (Orgs.). Português brasileiro: contato linguístico, heterogeneidade e história. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003, p. 30-38.)